O futuro da imuno-histoquímica diante da patologia molecular

Imunohistoquímica diante da Patologia Molecular

A década passada trouxe inovações incríveis para a prática da patologia. No centro dessas inovações está o sequenciamento genético e outras técnicas de biologia molecular que têm desempenhado um papel importante na assistência ao paciente e no diagnóstico, especialmente das neoplasias.

Estas novas técnicas moleculares estão intimamente relacionadas com a promessa emergente de uma medicina cada vez mais personalizada, com o desenvolvimento de tratamentos específicos de acordo com a necessidade individual de cada paciente.

Apesar desses avanços tecnológicos, a maioria dos anatomopatologistas não usa técnicas de biologia molecular em suas práticas diárias. No entanto, a imuno-histoquímica (IHQ), mais acessível e amplamente empregada em laboratórios de patologia cirúrgica na atualidade, é uma ferramenta que pode agregar valiosas contribuições no campo da biologia molecular. Continue a leitura e entenda mais sobre isso!

A importância da imuno-histoquímica para a patologia molecular

A imuno-histoquímica é um método de análise de tecidos utilizando a microscopia convencional. Através de reações antígeno-anticorpo é possível observar características moleculares das doenças nas células.

De forma geral, a IHQ apresenta custo e tempo de execução baixos e continua a ser a melhor ferramenta para os patologistas cirúrgicos praticarem a patologia molecular em suas rotinas.

Tradicionalmente, a IHQ tem sido usada como uma ferramenta diagnóstica. Entretanto, há aplicações crescentes da IHQ para determinação de fatores preditivos e prognósticos, especialmente no diagnóstico do câncer.

O exame imuno-histoquímico pode ser utilizado para disponibilizar dados mais precisos a respeito do melhor tratamento e provável evolução dos cânceres, além de auxiliar em diagnósticos de tumores indiferenciados, como carcinomas, linfomas, melanomas ou sarcomas.

Cada subtipo de tumor possui comportamentos e características biológicas próprias. Dessa forma, subtipos diferentes demandam tratamentos diferentes e a imuno-histoquímica poderá ajudar a reconhecer características específicas com a avaliação da presença ou ausência de moléculas associadas a tratamentos específicos ou comportamentos biológicos mais ou menos agressivos.

Imuno-histoquímica e classificações moleculares

Conforme mencionado no artigo “Immunohistochemistry as a Practical Tool in Molecular Pathology”, da autoria de Brandon S. Sheffield,  o câncer de mama foi a primeira neoplasia maligna humana a ser tratada com terapia direcionada: a ooforectomia terapêutica (remoção de um ou ambos os ovários), descrita no final dos anos 1800.

Esse conhecimento trouxe a base para a hormonioterapia, a classe de terapia adjuvante mais efetiva para o tratamento de pacientes cujos tumores tenham expressão dos chamados receptores hormonais, que é avaliada através da IHQ.

Os tratamentos com anticorpos monoclonais anti-HER2 (receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2) começaram na década de 1990 e representaram o primeiro uso de anticorpos direcionados em tumores sólidos. A presença da proteína HER2 também é inicialmente avaliada através da IHQ.

O câncer de mama também foi o primeiro tipo de tumor a ter uma subclassificação molecular estabelecida. Esses “subtipos intrínsecos” de câncer de mama são reprodutíveis usando múltiplas metodologias e cada uma está ligada a diferentes comportamentos clínicos e opções de tratamento.

Quinze anos após a classificação molecular dos cânceres de mama, múltiplos ensaios moleculares estão disponíveis para orientar o manejo clínico. No entanto, a IHQ continua a ser a técnica mais amplamente utilizada.

Cenário atual da imuno-histoquímica

As técnicas atuais de automação possibilitam com grande eficácia o controle de qualidade das reações na confecção de lâminas de imuno-histoquímica, com resultados estandardizados.

As imagens digitalizadas e os softwares abrem espaço para análises quantitativas, que proporcionam dados estatísticos robustos em pesquisas para validações de novos tratamentos  em ensaios clínicos.

Dessa forma a IHQ tem como campo promissor a contribuição para informações multidisciplinares que subsidiem médicos, clínicos e cirurgiões, para a escolha do tratamento terapêutico ideal para neoplasias específicas.

Concluímos esta exposição sugerindo a leitura do excelente artigo: “Immunohistochemistry as a Practical Tool in Molecular Pathology”, da autoria de Brandon S. Sheffield.

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