Instabilidade de microssatélites e testes de imuno-histoquímica para síndrome de Lynch (câncer de cólon hereditário sem polipose)

O teste de instabilidade de microssatélites (MSI) através da imuno-histoquímica (IHC) é realizado para analisar fragmentos de tumores de cólon para características sugestivas de síndrome de Lynch (câncer de cólon hereditário sem polipose). A síndrome de Lynch se deve a uma mutação nos genes MLH1, MSH2, MHH6 ou PMS2, que têm a função de realizar reparos no DNA regulando a produção de proteínas específicas, evitando os erros que produzem as alterações do DNA relacionadas com o desenvolvimento do câncer de cólon.

As mutações observadas na síndrome de Lynch interrompem o funcionamento correto dos genes MLH1, MSH2, MHH6 ou PMS2, ocasionando o interrompimento da produção das proteínas de reparo do DNA. Dessa forma, o processo de divisão e multiplicação de células da mucosa colônica ocorre com erros, elevando o risco de surgimento de tumores.

Os testes da imuno-histoquímica, mais acessíveis, auxiliam a excluir indivíduos que provavelmente não são portadores de síndrome de Lynch, para direcionar de forma mais precisa aqueles que necessitarão realizar sequenciamento dos genes de reparo incompatíveis (MLH1, MSH2, PMS2 e MSH6) em técnicas moleculares menos acessíveis e mais caras.

Sensibilidade e especificidade das técnicas de imuno-histoquímica e moleculares

As técnicas moleculares têm sensibilidade (a probabilidade de o teste ser positivo: o teste irá detectar a mutação se a mutação estiver presente) de 80 a 91%. O teste através da imuno-histoquímica tem sensibilidade em torno de 83%.

As técnicas moleculares têm especificidade (a probabilidade de o teste ser negativo: o teste não detectará a mutação quando a mutação não estiver presente) de 55 a 90%. O teste através da imuno-histoquímica tem especificidade em torno de 83%.

Assim entende-se que os testes da imuno-histoquímica são uma alternativa excelente para o rastreio inicial em pacientes com suspeita clínica para síndrome de Lynch.

Expressão preservada da proteína MSH6 em um paciente com câncer colorretal não relacionado à síndrome de Lynch

Imuno-histoquímica revela expressão preservada da proteína MSH6 em um paciente com câncer colorretal não relacionado à síndrome de Lynch.


Ausência da proteína de reparo PMS2 nas células tumorais em um paciente com síndrome de Lynch

Imuno-histoquímica revela ausência da proteína de reparo PMS2 nas células tumorais em um paciente com síndrome de Lynch.

Indicação para o rastreio

O rastreio está indicado nas seguintes situações:

  • Câncer de cólon diagnosticado em um paciente com menos de 50 anos de idade.
  • Presença de tumores sincrônicos (ocorrendo num mesmo paciente ao mesmo tempo) ou mecatrônicos (ocorrendo num mesmo paciente em épocas diferentes).
  • Presença de câncer de cólon associado a outros tumores que podem ocorrer em síndromes hereditárias: endometriais, gástricos, ovarianos, pancreáticos, do ureter / pelve renal, trato biliar, cérebro (geralmente Glioblastoma, como visto na síndrome de Turcot), adenomas de glândulas sebáceas e Ceratoacantomas (síndrome de Muir-Torre) e carcinomas do intestino delgado.
  • Tumores com características morfológicas fortemente sugestivas de síndrome de Lynch em pacientes com menos de 60 anos de idade: presença infiltrado de linfócitos intratumoral exuberante, reação linfocítica tipo doença de Crohn, diferenciação mucinosa / células em anel de sinete.
  • Carcinoma colorretal diagnosticado em um paciente com um ou mais parentes de primeiro grau com menos de 60 anos de idade diagnosticados com outros tipos de câncer em síndromes hereditárias: endometriais, gástricos, ovarianos, pancreáticos, do ureter / pelve renal, trato biliar, cérebro (geralmente Glioblastoma, como visto na síndrome de Turcot), adenomas de glândulas sebáceas e Ceratoacantomas (síndrome de Muir-Torre) e carcinomas do intestino delgado.

Considerações na interpretação de resultados

Ao interpretar os resultados considere também que:

  • Somente 3% de todos os casos de cânceres colorretais são causados ​​pela síndrome de Lynch.
  • Cerca de 13% de todos os tumores colorretais apresentam instabilidade microssatélites alta.
  • Aproximadamente 25% de todos os tumores colorretais exibem imuno-histoquímica anormal.

O Anticorpos Laboratório está apto a oferecer o teste de instabilidade de microssatélites, para mais informações entre em contato conosco.

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